Algumas pessoas pensam que, se Deus já sabe o nosso futuro, então o homem não é realmente livre, mas que todas as nossas ações já estão predeterminadas — como se fôssemos marionetes ou robôs.
A resposta curta é que a onisciência de Deus ainda é compatível com a liberdade humana. É como ter um termômetro infalível. O termômetro sempre nos dará a temperatura correta, mas não é ele que produz o calor ou o frio, ele simplesmente os registra. Se a temperatura fosse diferente, o termômetro registraria essa mudança. O conhecimento de Deus é semelhante. Deus sabe o que os seres humanos farão livremente.
Resposta detalhada:
Se olharmos para isso de forma mais rígida usando a lógica modal, o argumento que alguns apresentam para supostamente mostrar a incompatibilidade da onisciência com a liberdade humana é o seguinte:
(1) Necessariamente, se Deus prevê que eu farei X, então eu farei X.
(2) Deus prevê que eu farei X.
(3) Portanto, eu necessariamente farei X.
De acordo com esse argumento, como X acontece necessariamente, então não é um evento contingente ou dependente de mim. Assim, em virtude da onisciência de Deus, X está destinado a ocorrer. Isso é chamado de fatalismo na lógica. O problema com o argumento acima é que ele comete um erro de lógica modal.
O que é logicamente derivado das premissas (1) e (2) não é (3), mas (3′):
(3′) Portanto, farei X.
O fatalista está errado aqui. É verdade que, em um argumento válido da lógica modal, a conclusão segue-se necessariamente (aqui, necessariamente significa que algo é verdadeiro porque não há alternativa lógica possível). Ou seja, é impossível que as premissas sejam verdadeiras e a conclusão seja falsa. Mas a conclusão em si mesma não tem de ser necessária nesse sentido. Eu poderia abster-me de fazer X e, se o fizesse, então Deus teria previsto algo diferente. Isso é suficiente para preservar o livre arbítrio humano.
O fatalista viola as regras da lógica ao transferir a necessidade da dedução para a conclusão. O que necessariamente decorre de (1) e (2) não é (3), mas apenas (3'). Mas o fatalista, em sua confusão, pensa que a conclusão em si é necessariamente verdadeira e acaba afirmando erroneamente (3). Ao fazer isso, ele simplesmente comete uma falácia lógica. A conclusão correta, (3′), não é de forma alguma incompatível com a liberdade humana.
Do ponto de vista da onisciência divina, o fato de eu ir fazer X não significa que sou forçado a fazer X. Isso não é de forma alguma incompatível com a possibilidade de eu fazer X livremente. Sem dúvida, uma grande fonte de confusão para o fatalista é a mistura de certeza com necessidade. Nos escritos dos teólogos fatalistas modernos, é comum encontrar afirmações de que algo é certamente verdadeiro e que a mesma coisa é necessariamente verdadeira. Isso é uma confusão absoluta.
O Dr. Frank Turek explica isso: https://youtu.be/kKKiqvF-_pc?si=UpZcn7_aSRvhBZjI
Para uma análise aprofundada desta questão da onisciência e do livre arbítrio, recomendamos o livro The Only Wise God, do Dr. William Lane Craig. Veja também este artigo de Chris Du-Pond.
Este texto é baseado no livro Divine Foreknowledge: Four Views (Kindle Locations 1557-1565). Kindle.