Nesta série, vamos desmontar breves objeções ao cristianismo/Deus com respostas curtas.
OBJEÇÃO: “Jesus desceu ao inferno após sua morte?”
RESPOSTA: Antes de responder, deixe-me esclarecer que não há nada de herético em afirmar que Jesus “desceu” ao inferno. Afinal, Jesus é Deus e pode ir aonde quiser, e o próprio Deus sustenta a existência do inferno, que é sua criação.
Na verdade, tem havido debates na igreja sobre isso. Uma passagem interessante relacionada a isso é 1 Pedro 3:18-20:
Pois também Cristo padeceu, uma única vez, pelos pecados, o justo pelos injustos, para conduzir vocês a Deus; morto, sim, na carne, mas vivificado no espírito, no qual também foi e pregou aos espíritos em prisão, os quais, noutro tempo, foram desobedientes, quando Deus aguardava com paciência nos dias de Noé, enquanto se preparava a arca, na qual poucas pessoas, apenas oito, foram salvas através da água.
Pessoalmente, eu sigo a interpretação de que, se Jesus realmente desceu ao Hades, não foi para pregar o evangelho da salvação, mas como uma declaração universal de sua vitória sobre a morte e da justiça da punição que viria para aqueles que não creram (daí a referência àqueles que desobedeceram no tempo de Noé).
Agora, existem alguns falsos mestres muito famosos no movimento Palavra da Fé que afirmam que a obra redentora de Jesus não foi concluída até que Jesus descesse e sofresse no inferno por nossos pecados. Isso jamais foi objeto de debate nos 2000 anos de história da igreja. Por exemplo, Joyce Meyer afirma que Jesus pagou por nossos pecados no inferno, sob o tormento de Satanás e seus demônios, e que as pessoas devem acreditar nisso, ou então não serão salvas.
Este é um ensinamento herético que não tem suporte bíblico. João 19:30 afirma que, quando Jesus morreu, ele exclamou: “Está consumado” ou, em outras traduções, “Está cumprido”. Em grego, isso é “τετελεσται” (tetelestai), que carrega o significado de realização perfeita, sem a necessidade de acrescentar nada. A obra de Jesus estava completa e negar isso é diminuir o maior sacrifício da história. É justo debater se o espírito de Jesus desceu ao Hades durante o tempo em que esteve no túmulo. O que não está sujeito a debate é o cumprimento do sacrifício na bendita cruz do Calvário.