Quando converso com meus amigos ateus, frequentemente ouço algumas das seguintes objeções:
“Antes de falar sobre Deus, defina-o.”
“Não faz sentido falar sobre Deus: a qual dos milhares de deuses você está se referindo, Thor, Buda, Krishna, etc.?”
“Não faz sentido falar sobre Deus porque cada um tem sua própria definição.”
O ateu Kai Nielsen apresenta o problema da seguinte forma:
“[Descrições e definições sobre Deus] são tão problemáticas e tão pouco claras que não sabemos do que estamos falando quando as usamos. Temos uma espécie de senso figurativo familiar de que sabemos do que estamos falando, mas quando pensamos cuidadosamente sobre o que essas expressões significam, elas são tão problemáticas que não podemos usá-las para fazer afirmações verdadeiras ou falsas.”
Como podemos responder a isso para que a conversa possa continuar?
Acho justo que nossos amigos ateus nos peçam uma definição clara do que entendemos por “Deus” e, com isso em mente, esta é a definição mais abrangente que consegui elaborar. Essa definição não é um capricho, mas pode ser derivada logicamente a partir de evidências, como explicarei no final.
Sem mais preâmbulos, o que/quem é Deus?
• Deus é um espírito/mente (uma entidade não física, metafísica ou “pneuma”) sem corpo.
• Deus é um ser pessoal com autodeterminação e autoconsciência.
• Deus é eterno (sem começo, sem fim, sem limites e atemporal).
• Deus é bom, misericordioso e benevolente.
• Deus é justo.
• Deus é uma essência simultaneamente em três pessoas.
• Deus é onipresente.
• Deus é autoexistente (aseidade).
• Deus é imutável em essência, atributos, propósitos e consciência.
• Deus é onisciente. (Conhecimento de todas as proposições lógicas verdadeiras).
• Deus é onipotente. (O poder divino é limitado apenas pelo absurdo e pela contradição).
• Deus é santo e justo. (Ele possui uma vontade perfeita e justa).
Dadas essas características e definições detalhadas do que entendemos por “DEUS”, podemos continuar a conversa.
Se o ateu pedir evidências sobre como esses atributos são deduzidos, então a conversa deve se concentrar nas evidências sobre a existência de Deus. Por exemplo, a partir do argumento cosmológico de Kalam, conclui-se que o criador do universo deve ser um ser com vontade (uma pessoa), enormemente poderoso (com a capacidade de criar o universo), existindo em uma forma metafísica, atemporal e não espacial.
A partir do argumento moral, conclui-se que Deus é o fundamento dos valores e deveres morais, do que se segue que Deus é bom, justo e misericordioso.
A partir do argumento da contingência, deduz-se que Deus é um ser autoexistente e metafisicamente necessário (uma vez que a existência de tudo o mais depende dele).
Se Jesus ressuscitou dos mortos e afirmou ser Deus, então Deus é um ser trino, autoexistente, misericordioso e amoroso.
Essas características de Deus são aceitas pela grande maioria dos crentes no mundo e são consistentes entre si.