Respondendo ao argumento:
A festa “X” é “pagã” e, portanto, os cristãos não devem celebrá-la.
Quando certas celebrações se tornam parte da cultura, muitos cristãos (alguns com zelo genuíno e boas intenções) afirmam que tais festividades são “pagãs” ou “impuras” e que, portanto, devemos rejeitá-las. Eles também julgam (muitas vezes injustamente) outros cristãos que celebram tais eventos.
Vamos refletir sobre isso por um momento. Primeiro, precisamos definir o que significa “pagão”.
Paganismo refere-se à prática de honrar um objeto criado (ou um deus criado) em vez de honrar e dar a Deus o lugar que Ele merece.
Disto decorrem duas coisas:
Primeiro, não existem “coisas” pagãs. O paganismo deriva do lugar e da INTENÇÃO no coração das pessoas ao realizar uma determinada atividade. Gostaria de enfatizar este ponto. O PAGANISMO É UMA ATITUDE DO CORAÇÃO e, portanto, para saber se uma prática é pagã ou não, é necessário conhecer a intenção do coração. Este é o cerne do problema.
O paganismo é uma atitude do coração e, portanto, para saber se uma prática é pagã ou não, é necessário conhecer a intenção do coração.
Por exemplo: já me perguntaram se queimar incenso é proibido pelo cristianismo. Como a Bíblia não proíbe tal atividade, o próximo passo é descobrir a INTENÇÃO da pessoa que queima o incenso. Há duas respostas típicas que eu poderia receber:
A pessoa poderia responder que gosta do cheiro do incenso.
Por outro lado, ela pode responder que o incenso afugenta os “espíritos malignos”.
Vejamos a intenção em cada caso: No primeiro, a intenção é apreciar o aroma do incenso. Não há nada na Bíblia que proíba isso. Portanto, é permitido. Mas se alguém desejar abster-se, isso também é permitido. É uma questão de preferência pessoal e consciência.
No segundo caso, a intenção é se envolver em uma prática contrária à Bíblia: ou seja, a pessoa pretende interagir com espíritos malignos de maneira errada, porque somente Deus tem poder sobre os espíritos impuros, e é através do poder de Cristo que eles devem ser expulsos. Não através do uso de aromáticos. Isso é paganismo, porque a pessoa está tirando o lugar que pertence a Deus e usando incenso em seu lugar.
O apóstolo Paulo concorda em sua carta aos romanos, onde escreve que nós, cristãos, devemos parar de julgar uns aos outros, sem motivo, por esses costumes de origem “imunda”. Paulo diz:
“Portanto, deixemos de julgar uns aos outros. Pelo contrário, tomem a decisão de não pôr tropeço ou escândalo diante do irmão. Eu sei e estou persuadido, no Senhor Jesus, de que nada é impuro em si mesmo, a não ser para aquele que pensa que alguma coisa é impura; para esse é impura.” Romanos 14:13,14
Gostaria de enfatizar três aspectos disso:
Primeiro, nós, cristãos, devemos parar de julgar uns aos outros em questões de intenção e consciência. Isso não é produtivo.
Segundo, o próprio Paulo afirma que “NADA É IMPURO EM SI MESMO”. Deus é o criador de todas as coisas e de todos os dias. Nem as coisas nem os dias são impuros ou pagãos em si mesmos, mas dependem da INTENÇÃO que as pessoas lhes conferem.
Em terceiro lugar, Paulo também diz que não devemos ser um obstáculo ou uma pedra de tropeço. Isso significa que as pessoas não devem ser afastadas do evangelho ao nos verem participando de certas atividades. O argumento de Paulo é que, se a fé de uma pessoa vai ser enfraquecida ao vê-lo participar de uma atividade, é melhor não a fazer. No entanto, quase todos os cristãos entendem isso como “eu me sinto ofendido por você celebrar o Natal, portanto você deve parar de fazê-lo”. Paulo nunca raciocinou assim. Se você se ofende porque seu vizinho cristão coloca uma árvore de Natal, examine seu próprio coração para ver o que há de errado com você. Até agora, não conheci ninguém cuja fé tenha vacilado por colocar um enfeite em sua casa ou celebrar o nascimento de Jesus. Mas já vi a fé de muitas pessoas vacilar por causa do legalismo dos cristãos fundamentalistas em guerra com um enfeite que de forma alguma afeta a pureza do evangelho.
Amigos e irmãos, peço que parem de julgar outros crentes que gostam de celebrar o Natal ou de colocar uma árvore de Natal (ou algo semelhante) em suas casas, porque essas coisas não são pagãs nem impuras, a menos que a INTENÇÃO das pessoas que as celebram seja tirar a honra de Deus. Foram precisamente os primeiros cristãos que começaram a celebrar o Natal para honrar a Deus e o nascimento de Cristo. Quando coloco uma árvore de Natal, não estou honrando nenhum deus antigo. É um enfeite! E como a Bíblia não exige que celebremos o nascimento de Jesus, pode-se facilmente abster-se de fazê-lo, se assim o desejar.
Fico muito triste que Paulo seja claro sobre esses pontos, mas que nós, cristãos, continuemos a julgar os outros por colocarem um enfeite ou por honrarem o sacrifício e o nascimento de Cristo.
Se você vai julgar alguém por participar de uma prática ou celebração, primeiro, você precisa conhecer a intenção do coração dessa pessoa. Caso contrário, você estará julgando injustamente.
O Natal não é impuro nem pagão. Já escrevi sobre isso em detalhes e não vou repetir aqui.
Se você acredita que uma determinada festividade é pagã ou impura, é porque você lhe atribuiu esse valor e está no seu direito de se abster. Mas vamos parar de julgar nossos irmãos e irmãs, a menos que conheçamos as intenções de seus corações. Se o fizermos, teremos apenas caído no legalismo e causado divisão sobre uma questão que não é de doutrina central e sobre a qual a própria palavra de Deus nos diz: “nada é impuro em si mesmo”.
Cristo nos deu a liberdade de adorá-lo em espírito e em verdade. Não coloquemos as correntes da religiosidade e do legalismo das quais ele nos libertou. Se você vai julgar alguém por participar de uma prática ou festa, primeiro, precisa conhecer a intenção do coração dessa pessoa. Caso contrário, você estará julgando injustamente.
“Não julgueis segundo a aparência, mas julgai com justiça”. João 7:24.