Um dos métodos mais comuns de testemunhar o cristianismo é contar às pessoas como sua vida mudou de terrível para incrível. Você sabe o que quero dizer. Algo como: “Antes de me tornar cristão, meu casamento estava desmoronando, eu sofria de depressão, estava prestes a ser demitido do meu emprego e me perguntava se valia a pena viver. Mas quando me tornei cristão, meu casamento se recuperou, meu relacionamento com meu chefe melhorou e estou mais feliz do que nunca”. A ideia por trás disso é que, se você se converter a Jesus, sua vida vai melhorar aqui e agora. Eu chamo isso de “testemunho de estilo de vida”.
Muitos cristãos promovem isso como um método de evangelismo. Afinal, é fácil de fazer, é algo que você pode lembrar porque é sobre você e é irrefutável porque você está contando às pessoas sobre coisas que realmente aconteceram com você. Então, como método de evangelismo, por que não adotar essa forma de compartilhar a fé, certo?
Errado!
Primeiro, considere que quase todas as seitas e religiões do mundo fazem a mesma coisa. Quantas seitas ou religiões falsas dizem: “Venha para nós e sua vida vai piorar”? Nenhuma! Elas prometem uma vida melhor aqui e agora.
Em segundo lugar, os ouvintes pós-modernos, que acreditam que todas as verdades são verdades com “v” minúsculo (relativas), receberão essa mensagem dizendo: “Bem, fico feliz que isso funcione para você”. E eles podem dizer que o zen, a ioga, o álcool, a acupuntura ou o Prozac funcionam para eles, ou podem simplesmente dizer: “Gosto da vida que tenho” ou “Não preciso de muletas”, e assim por diante.
Em terceiro lugar, dizer às pessoas que, se elas se converterem a Cristo, suas vidas melhorarão, não é necessariamente verdade. É claro que podemos experimentar os frutos do Espírito enquanto estamos aqui, mas devemos lembrar que, quando algumas pessoas se convertem a Cristo, seus casamentos e famílias se desfazem precisamente porque elas se converteram a Cristo (Mateus 10:34-39). E se você mora em algum país muçulmano, quando se converte a Cristo, embora experimente a paz de Deus, sua família tentará matá-lo e poderá sequestrar e estuprar sua filha adolescente, forçá-la a jurar lealdade ao Islã e, então, dirá que você nunca mais a verá. Isso não é uma melhoria em seu estilo de vida aqui e agora!
Quarto, se suas vidas não melhorarem, eles se sentirão enganados e questionarão por que devem continuar com essa vida cristã.
Quinto, esse não é o exemplo bíblico. Da próxima vez que você ler Atos, preste atenção em como os apóstolos pregavam. Eles nunca disseram: “Venha para Jesus, como nós, e sua vida vai melhorar”. Da mesma forma, lemos em Mateus 4:17 que “Jesus começou a pregar, dizendo: ‘Arrependam-se, pois o reino dos céus está próximo’”. Lucas 9:23-25: “Se alguém quiser vir após mim, negue-se a si mesmo, tome a sua cruz diariamente e siga-me. Pois quem quiser salvar a sua vida, a perderá, mas quem perder a sua vida por minha causa, a salvará. Pois que aproveita ao homem ganhar o mundo inteiro e perder a si mesmo ou arruinar-se?”
Sexto, essa forma de testemunhar deturpa o evangelho. Jesus não morreu na cruz para que pudéssemos ter um estilo de vida melhor neste mundo. Jesus morreu na cruz para que pudéssemos ser perdoados dos nossos pecados, justificados diante de Deus e viver para todo o sempre, reinando com Cristo (Apocalipse 22:5).
Agora, tendo esclarecido isso, não estou dizendo que nosso testemunho não pode incluir o que Deus fez por nós nesta vida. Pode sim! Mas devemos ter o cuidado de lembrar que uma vida melhor aqui e agora é menos importante em comparação com a mensagem central do Evangelho, que é muito mais focada na eternidade.
João 3:16 “Porque Deus amou o mundo de tal maneira que deu o seu Filho unigênito, para que todo aquele que nele crê não pereça, mas tenha a vida eterna”.
Amém.